O Coletivo Catarse ganhou o I Premio de fotografia Cornelia Eckert

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Temos a grande satisfação de informá-los que conseguimos o I Prêmio de Fotografia: CORNELIA ECKERT organizado pelo I Seminário Internacional Linguagens, Saberes e Sociodiversidade na Amazônia (UFPA-campus de Bragança).

O resultado pode ser consultado aqui

O ensaio fotógrafico pode ser consultado aqui no nosso site. Nossas fotografias serão publicadas em um número especial da REVISTA AMAZÔNICA do Programa de Pós-Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia/UFPA

Gratidão a todos e todas os/as que nos apoiaram!

 

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Diário de Viagem: dia 3: Erechim

Viajamos até a cidade de Erechim, lugar histórico de presença Kaingang que se expressa até pelo nome da cidade: “campo pequeno” em Kaingang: ere= campo xi= pequeno. Fomos convidados e recebidos por estudantes e professores do departamento de ciências sociais da Universidade Fronteira Sul que estavam organizando a Semana Acadêmica de Ciências Sociais.
Gustavo e Billy apresentaram o coletivo Catarse e alguns dos mais de 600 vídeos produzidos pelo coletivo. Entre eles, o vídeo “Carijo” sobre a produção tradicional e artesanal de erva maté e o vídeo “O Grande Tambor” que ressalta a história do Rio Grande do Sul desde a vivência de pessoas negras e das suas relações com o tambor.

De noite Iracema e Clémentine apresentaram o trabalho que vêm desenvolvendo juntas desde 2013, focando na história das mulheres e dos kujà (xamãs) no período do Serviço de Proteção aos Índios (1910-1967) e como elas, hoje, enfrentam-se e relacionam-se com a sociedade envolvente. Iracema nos relatou a história da primeira kujà, relacionado ao nascimento do xamanismo Kaingang, protagonizado por uma mulher que saiu do burraco de uma árvore ancestral.

A troca que rolou com os estudantes foi interessante na medida que tentou-se abordar a antropologia desde uma perspectiva colaborativa e do engajamento compartilhado.

No final da noite, apresentamos o livro de Clémentine “Sonhar, Curar, Lutar: Colonialidade, Xamanismo e Cosmopolítica Kaingang no Rio Grande do Sul” publicado pela editora Prismas em 2017.

 

 

Diário de viagem: dias 1 e 2

Dia 1 e 2: T.I Serrinha (RS) 24 e 25 de setembro: Sobre os passos de Alcindo Peni Nascimento… Primeiros momentos.

O primeiro dia da nossa estadia nas Terras Kaingang foi um dia de reencontros da companheira Iracema Gatén Nascimento com seus parentes que lutaram junto com ela e com seu pai Alcindo Peni Nascimento nas retomadas de Nonoai, Mangueirinha e Serrinha.

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Iracema Gáten Nascimento e sua prima Lívia Nascimento caminhando na T.I Serrinha

Conhecemos Miguel Xatã Farias, filho de Ernesto Farias e Iracema Shencón Nascimento. Ernesto era primo-irmão de Alcindo Peni e lutou juntou com ele contra a invasão dos fóg (não indígenas) em Nonoai e Mangueirinha. Hoje, Miguel é membro ativo do Conselho dos Povos Indígenas (CEPI). Sua mãe, Iracema Shencón Nascimento, além de nos receber na sua casa relatou as vivencias que ela teve com Alcindo Peni na T.I Nonoai.

Conhecemos também à Livia Mufej Nascimento, prima de Iracema Gáten Nascimento assim como a famosa “tia Virginia”, tia de Iracema que participou das retomadas de Nonoai, Mangueirinha e Serrinha.

Com esses testemunhos, percebemos a tremenda importância do protagonismo das mulheres e do/as kujà (xamãs) (muitas vezes invisibilizado/as) nas retomadas de terras que aconteceram a partir do fim da década de 70, durante o fim do período da ditadura militar.

Finalizando nossa estadia na T.I Serrinha, visitamos a Kawãg, irmão menor de Iracema, que, com muita emoção, recordou a trajetória de vida do seu pai, deixando aquelas lembranças para incentivar seus filhos e netos a lutarem por liberdade, justiça e pela mãe terra…

*fotos de Billy Valdez, Clémentine Maréchal

Ensaio Fotográfico: Luta e Resistência Kaingang

Este ensaio fotográfico expressa a relação que os Kaingang que moram em Acampamentos de Retomadas* no Alto Uruguai (Rio Grande do Sul, Brasil) desenvolvem com um território cada vez mais devastado pelos avanços do agronegócio e uma perseguição cada vez mais aguda tanto por parte de alguns setores do Estado brasileiro quanto por parte dos fazendeiros locais.

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A resistência das mulheres e homens Kaingang nesses Acampamentos de Retomadas se manifesta com a força da relação que eles mantêm com os poucos vënh-kagta, “remédios do mato”, que sobrevivem nos desertos criados pela agricultura intensiva.

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Tendo como pano de fundo a ditadura militar e a expansão das fronteiras agrícolas no país, é desde uma perspectiva Kaingang do território que esse ensaio fotográfico relata a história do sul do Brasil. Essa história se manifesta por um lado na memória ancestral de cada erva, casca, folha colhida e por outro na destruição, expressada pela hegemonia de uma paisagem monotemática. A luta nas retomadas dos territórios Kaingang é entendida como uma luta na procura de (re)criação de relações com os seres da natureza, relações que rompem com os modelos de relação com a terra, baseados na produtividade e na concepção da terra enquanto objeto, historicamente impostos nos Postos e nas Terras Indígenas. As araucárias nascendo expressam a relação entre a ancestralidade Kaingang, os processos históricos e coloniais sofridos por eles e um futuro de esperança baseado na procura de uma autonomia política, espiritual e territorial.

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– fotos por Billy Valdez
*Os Acampamentos de Retomadas são territórios recuperados de forma autônoma pelos Kaingang nas últimas décadas. São chamados de Acampamentos porque, apesar dos laudos antropológicos terem sido realizados e aprovados pela FUNAI, o Estado brasileiro ainda não concluiu a demarcação e homologação da terra e assim a retirada dos fazendeiros ou pequenos agricultores que atualmente moram nessas terras. De esta maneira, nos Acampamentos de Retomadas, os Kaingang são recluídos em espaços de 2 a 4 hectares no máximo.

O início da Jornada

Em 24 de setembro de 2018, numa segunda-feira, iniciou-se a nossa jornada que deve terminar com 2 obras de audiovisual sobre a resistência Kaingang no sul do Brasil.

Rumamos de Porto Alegre à Terra Indígena da Serrinha, na divisa entre os municípios de Ronda Alta e Três Palmeiras, norte do Estado do Rio Grande do Sul.

Na sequência, mais postagens do andamento do projeto.