Produções acadêmicas

Nas últimas décadas os avances do agronegócio no sul do Brasil tem provocado, um, cada vez mais, difícil acesso à terra para os coletivos indígenas que desenvolvem uma relação diferenciada com seu território e os seres que o povoam. Lógicas coloniais e etnocidas permeiam a gestão dos territórios e dos corpos indígenas que se vêm incorporados num Estado-Nação que por um lado difunde um discurso igualitário e homogêneo, e por outro lhes nega a possibilidade de serem diferentes. A colonialidade, matriz de poder e base da racionalidade moderna, atravessa as relações entre o Estado, o capital e os mundos indígenas e se reproduz em cada relação que os coletivos indígenas desenvolvem com outros e entre si. Os processos coloniais históricos e contemporâneos modificaram o tecido social e as subjetividades indígenas que diante destes processos, em alguns casos, se empenham em reconstruir seus caminhos, transformando e reelaborando cosmologias e mitologias protagonizando seus processos de resistência. Comumente a política e a luta pela terra são vistos a partir de um olhar que não deixa espaço a maneiras outras de pensar e sentir o político. Da mesma maneira, o xamanismo é abordado comumente como um sistema cosmológico de relação com seres outros e assim despossuído do seu potencial político e transformador da vida relacional além das esferas internas das sociedades indígenas. Este livro busca apreender o xamanismo como uma força política imprescindível à construção de uma luta pela terra potente e assim o entendemos como horizonte decolonial possível. É a partir notadamente da trajetória de vida de Iracema Nascimento, mulher e xamã Kaingang, que nasceu na Terra Indígena Nonoai (RS) e mora hoje na periferia da cidade de Porto Alegre, que nos propomos entender o xamanismo como um motor da luta pela terra e como uma possibilidade descolonializadora. Sonhos e viagens no norte do Rio Grande do Sul, ao encontro de parentes enfraquecidos em decorrência das difíceis consequências dos enfrentamentos com fazendeiros e com o Estado colonial, são as expressões, nos seus termos, de uma territorialidade e saberes baseados na complementaridade e no equilíbrio que precisa ser mantido e reatualizado para a sobrevivência do povo Kaingang.

Artigos

O Xamanismo Kaingang como potência decolonizadora. Clémentine Maréchal e Herbert Hermann. 2018.

Minha Missão no Mundo. Herbert Hermann; Iracema Gá Rã Nascimento; Clémentine Maréchal; Audisseia Kapri Nascimento Padilha. 2017.

Os parentes querem minha presença: sobre a continuidade das cosmologias Kaingang e os enganos de um Estado colonial. 2015.

Entrevista com Iracema Gá Rã Nascimento. 2017.

Biografia de Iracema Nascimento. Herbert Hermann; Iracema Gá Rã Nascimento, Clémentine Maréchal e Audisseia Kapri Nascimento Padilha.

 

Exposições publicadas em anais de congressos:

Alcindo Penï Nascimento e sua ação política nas T.I Nonoai/RS e Manguerinha/PR. 2018.

Sonhar, Curar, Lutar: A trajetória de vida de uma mulher kujà Kaingang. 2017.

 

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